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A saudade da moça

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Pelo vidro da janela, lentamente coberto pela chuva, a moça fita. Olha e analisa. Pensa que só.

Não é ócio, nem é vício. Não é doença, nem é desgosto. Vai ver é só saudade.

E se é saudade, é de quê? É de quem, moça?

De nada, de ninguém não. É uma saudade da vida, doída. Saudade do viço, das esperanças na ponta da língua, dos sonhos saltando dos olhos, da vontade de tudo que não podia esperar.

Tem saudade pior que essa não. Saudade que a gente sente da gente, do que fomos um dia, em algum ponto desse longo caminho.

Essa saudade deixa a moça lenta. Ela lembra de quando corria, de como aquela coisa boa (aquela, daquele dia!) passou rápido, que na hora nem sentiu o tanto que podia, o tanto que deveria. Mas era bom, era vida.

A moça na janela fita. Olha e analisa. Pensa que só. Suspira e só.

A pressa está lá fora. A moça só olha. Espera é tudo o que há.